quarta-feira, 29 de novembro de 2017

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Habituamo-nos a ver as pessoas no nosso dia a dia. Desde que nascemos até que passamos a fase estúpida da adolescência, e não falamos a ninguém. Até que essas mesmas pessoas, estão lá nos momentos mais difíceis e cruéis da nossa vida. Até que há um dia, que numa manhã de verão, entram de rompante e nos surpreendem. Habituei - me a ver -te sempre, semana sim, semana sim, sempre que ia a casa dos meus avós. Não me habituei a falar - te sempre, a sorrir sempre. Essa é a parte que as pessoas não conhecem em mim, a de sorrir. Eu nunca baixo a guarda, eu nunca desabafo, eu nunca choro. Eu nunca abraço de volta, eu nunca peço colo. E tu sempre soubeste isso. Mas a maneira como me conheces desde sempre, pela maneira como escrevo ou como respondo a uma mensagem, ou quando sabes que quero chorar, mas que odeio, ou que tenho alguma coisa para dizer, só que tenho a barreira tão alta que ninguém consegue passar por cima dela. És a única pessoa com quem baixo a guarda. Com quem tiro o peso que carrego porque quero estar e fazer tudo por toda a gente. És a única pessoa a quem peço colo, com quem partilho silêncios intermináveis de uma noite inteira acordada. És a pessoa que me faz companhia pra casa nos dias em que saio tarde, é a ti que te ligo quando preciso de explodir com o mundo, e és tu quem me agarra quando estou prestes a cair. Engraçado não é ? Serves de amparo pra mim quando devia ser ao contrário. Quando sou eu que tenho de te dar apoio, fazes o meu papel. Tantas vezes. És o que eu chamo de irmã, porque nunca tive uma. E de que todas as amigas que tenho, me dizem que é alguém como tu que tem na vida o papel de um irmão. 
Quantas vezes me dizes que as pessoas deviam ver o que sou? Ou que deviam conhecer o coração que tenho, e não ter este mau feitio? Sou demasiado fechada e acho que qualquer dia explodo sem dar por isso. Eu sei que não sou eu que tenho de resolver os problemas dos outros ou andar com a minha familia às costas, ou não me culpar pela morte de alguém. É inerente a mim. 
Ralhas comigo porque não descanso e tenho de o fazer, ralhas porque tenho de comer e não me apetece. Ralhas porque tenho de ir dormir. Mandas vir porque sabes que quero chorar e não me permito fazê-lo. Porque estou triste mas acho sempre que alguém tem um problema maior que o meu então não tenho direito a falar sobre o que me vai na alma. Dás - me na cabeça porque não me permito gostar de ninguém, porque não permito que alguém goste de mim, porque achas que já perdi demasiadas oportunidades de ser uma pessoa bem mais feliz, não fosse esta barreira que me persegue e os fantasmas que me perseguem. Não gostas que esteja no escuro, não gostas que estejas sozinha, estás sempre lá para me amparar as minhas quedas. E olhas pra mim como se eu me fosse embora amanhã e fosse das últimas vezes que me fosses ver. Estaria aqui uma vida inteira a escrever sobre como é a relação que nos une. Sabes sempre quando tenho saudades do meu avô, Parece que adivinhas sempre o que se passa. 
Amizade é uma coisa muito mais profunda e complicada do que sair pra rua a mostrar aos outros o que gosto de ti ou não, só porque somos irmãs. É descobrir os defeitos da outra pessoa, e continuar descobrindo inúmeros deles até ao fim da vida, e ainda sim aceitá-los e continuar a gostar da pessoa. É saber conviver com pequenos (e grandes) conflitos diários e ter jogo de cintura e disposição suficiente para passar por eles sem deixar o desgaste bater à porta.
É saber que nem todo fim de semana é feito somente de risada, que nem toda saída é necessariamente uma lua-e-mel, e que os problemas da tua irmã também são teus. Podia estar aqui o resto da noite, até sair do trabalho a escrever sobre isto. Mas hoje, digo-te só que te adoro desmedidamente, e que vou estar sempre do teu lado. Obrigada, só por existires, mana 💚🍀

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